khabib nurmagomedov super-talento de dagestan: desafiou chimaev, incrível na luta, e começou como khabib na américa

Lutador do MMA de Dagestan Murad Ramazanov: desafiou Chimaev, inacreditável na luta e começou como Khabib na América, entrevista.

– Sim, consegui trabalhar e aprender algo por mim próprio. Aprendi muitas coisas novas, compreendi muitas coisas por mim mesmo. Trabalhei com Habib, com o Islão, com outros tipos. Eu sabia que podia tirar-lhes muitas coisas. E foi assim que acabou por ser. Temos estilos semelhantes, e eu percebi o que tinha de fazer, como tinha de trabalhar em certas posições. Penso que alcancei outro nível, só preciso de o mostrar na prática. Não quero revelar exactamente o que notei por mim próprio quando trabalhei com Khabib e o Islão. Mas poucas pessoas, mesmo as que treinam com eles, compreenderão isso.
– Já trabalhou com Khabib em Las Vegas? Ele foi para a formação.
– Veio nos últimos dias da minha estadia no local. Ajudou os irmãos Azaytar de Marrocos. Treinámos juntos, mas não chegámos a trabalhar com ele. Houve micro lesões, ele trabalhou facilmente e eu não insisti em emparelhar com ele. Aparentemente, ele tinha o seu próprio plano. Não que eu queira sair e vencê-lo, é mais para meu próprio benefício. Não que ninguém diga: “Ali, ele venceu-o!” Para a experiência, para a carreira, tudo.
– Em Janeiro disse que podia chegar ao campo de treino com Kamar Usman, mas não resultou. Em Março, conseguiu uma foto juntos. Conte-nos a história desta fotografia.
– O campo de treino na América fez-me bem. Vi muito, trabalhei com muitos pesos médios superiores, welterweights, heavyweights. Só não ostento nada, não digo que vou esmagar alguém. Tenho vídeos de mim a lutar com alguns dos melhores pesos de welterweights e pesos pesados. Se eu os tivesse colocado na Internet, eles ver-me-iam como um campeão, pensariam que eu era o super-top, que está na altura de eu me juntar ao UFC. Mas não o farei por respeito aos meus treinadores, os meus parceiros de treino. Ajudamo-nos uns aos outros. Eu nunca faria isso. Nem sequer enviei esses vídeos a ninguém, nem mesmo aos meus amigos e família. Claro que, no top 3 do UFC, o top 5 é um nível sério, e até ao top 10 pode realmente manchar toda a gente. Já trabalhei na América com os tops – é assim que as coisas são.
– Há uma percepção de que as pessoas no UFC são feitas de um teste diferente, no entanto.
– Eu, como todos os outros, vi esse desafio, o comentário. Depois viu o vídeo, não sei se é um corte ou não. Penso que o homem que terminou a sua carreira provou tudo a todos. Vimos Dana White a tentar ver-se livre dele [Khabib], para fazer rematações e oferecer dinheiro. Mas o homem tratou dos seus assuntos, provou tudo. Ele já tinha provado tudo a toda a gente. Ficou relaxado. Desafiá-lo dessa forma – não é bom, penso eu. Sobre o meu desafio – penso eu, porque não? Temos a mesma idade, a mesma classe de peso. Ele tem um recorde de 9-0, eu tenho um recorde de 10-0. Ele é um bom lutador, e eu sou um bom lutador. Também posso lutar contra qualquer socador de topo na prateleira. Vou testar-me a mim e a ele. Puro interesse desportivo. Não costumo dizer coisas desse género, mas ei, essa é a resposta. Estou igualmente seguro de mim mesmo. Não é preciso lutar no UFC para ser o mais forte. Essa organização é bem influenciada, a máquina de relações públicas é boa. Penso que também tenho uma boa hipótese de ser bom.
– Murad, como surgiu este post? Porque decidiu escrevê-lo?
Murad tem 25 anos, ganhou 10 combates em 10, é campeão europeu e russo de luta corpo-a-corpo, e o treinador principal do famoso lutador do Daguestão Mansur Uchakaev chama-lhe o lutador mais talentoso do Daguestão. Não houve reacção por parte de Chimaev. Mas a popularidade de Ramazanov aumentou de imediato. E não é um hype vazio: Murad é realmente um lutador muito promissor. E com Chimaev ele actua numa categoria de peso – até 77 kg. A única coisa: Hamzat está sob contrato com a UFC, e Murad – com One FC.
Durante a emissão ao vivo de Ramzan Kadyrov Hamzat Chimaev fez um comentário sobre Khabib: “Também o rasgaremos se ele quiser” e de imediato tornou-se no lutador mais malquisto do Daguestão. Chimaev foi então ele próprio ao ar, dizendo que respeitava Khabib, mas depois entrou num confronto com Abubakar Nurmagomedov no Instagram. “Até à próxima, miúdo”, escreveu Chimaev. Depois apagou as suas mensagens, mas a Internet lembra-se de tudo. Naturalmente, houve um lutador Dagestani que desafiou Chimaev. Este é Murad Ramazanov. “Para pôr as coisas nos teus próprios termos, tenho a certeza que te vou rasgar e esmagar-te, miúdo. Apenas um interesse desportivo”, escreveu ele, também sobre a Instagram.

– Ainda me resta cerca de um ano no meu contrato.
– Quantas lutas faltam no seu contrato com One?
– Bem, o Ramadan acabou. Penso que no próximo mês e meio ou dois meses, três no máximo.
– Quando é o próximo combate?
– Definitivamente ele virou todos contra si próprio. Penso que eu próprio e todos os outros estávamos a torcer por ele e a desejar-lhe sucesso. Quando chegou ao Daguestão, foi acolhido como um dos russos mais conhecidos. Éramos vizinhos, repúblicas fraternas, não havia diferença. Ficaram contentes por vê-lo. Penso que ele não deveria ter virado todos contra ele. Fez a sua confiante estreia na UFC e todos estavam a torcer por ele. E agora virar as pessoas contra si próprio… Não deveria ter feito isso. Penso que ele sabia para onde isto iria quando escreveu aquele post. Mas penso que não o deveria ter feito. As pessoas estavam realmente a torcer por ele.
– Qual foi a atitude dos combatentes do Dagestan em relação a Chimayev depois dessa história?
– Não, Khabib não estava lá então, ele chegou mais tarde. Todos estavam lá, excepto ele. Falámos bem lá, por isso não sei de onde Chimaev obtém tal atitude.
– Chimaev encontrou-se lá com Khabib, então?
– Cruzámo-nos. Estava em tratamento nessa altura, veio para os nossos treinos. Cumprimentamo-nos, falámos bem. Costumávamos comer juntos. Desejámos um ao outro boa saúde e boa sorte.
– Cruzou-se com Chimaev em Las Vegas? Esteve lá ao mesmo tempo.

– Quais são as suas credenciais em luta corpo-a-corpo?
– Sim, sim, tive novamente esse momento. Foi interessante lutar. Lutam de forma um pouco diferente. Não consegui ganhar mais cedo, apenas em pontos.
– Na América, começou como Khabib.
– O mesmo torneio. É frequentemente realizada na América. Estivemos em Nova Jersey e o torneio realizou-se na Pennsylvania. Quando entrei de avião, estava a 2-3 semanas de distância. Timur (Valiev, um lutador UFC – ed. “SE”) também pensou em lutar, mas teve duas semanas antes do combate, e decidiu não correr quaisquer riscos. Registei-me e decidi – porque não? Lembro-me que Adlan Amagov também ganhou esse torneio. Tinha ali um cinto tão bonito e decidi que iria tentar lutar por ele.
– Há nove anos, o torneio NAGA foi ganho por Khabib. Ganhou o campeonato mundial sob a versão dessa organização. Que torneio ganhou?
Falámos com Ramazanov não só depois de ele ter desafiado Chimayev, mas também em Janeiro deste ano, discutindo a sua carreira em pormenor. Ganhou o torneio de luta corpo-a-corpo NAGA nessa altura.
– Veremos como correm as coisas. Mas todo o lutador quer entrar no UFC e tornar-se o campeão da melhor organização. É claro que é isso que está nos planos, grandes objectivos. Não apenas para ser um lutador nesta liga. Quero ser um campeão de qualquer organização em que me encontre.
– Pretende mudar-se para o UFC?
– Tanto quanto sei, são dois anos e seis lutas lá. Já passou um ano e meio, penso eu. Não conheço todos os detalhes, penso eu, ainda há cerca de um ano.
– Então não é o número de lutas, mas sim o termo?

– És muito bom a sair de um Monte – quando o teu adversário está de costas para ti. O que precisa de fazer para chegar a essa posição?
– A este nível pode ser difícil fazer alguma acção técnica, todos os lutadores são bons, sabem como se defender. Gosto de passar de trás, uma técnica tradicional. Guilhotina, por vezes funciona. A Kimura também tem estado bem ultimamente.
– Que movimento doloroso ou asfixiante considera a sua jóia da coroa? Talvez alguns deles?
– Sim, um pouco mais pequeno, não muito. Com Alvarez, também… Não quero dizer-vos como e o quê, que técnicas foram utilizadas, mas não faz mal, gostei. O que me surpreendeu foi que Alvarez trabalhou com Timur após a prática, trabalhou nas nuances do corpo para se ajustar a ele. Fez-me muitas perguntas, estava interessado nas nuances da minha técnica. Considero Alvarez uma lenda, ele é um Bellator, UFC e campeão dos Sonhos. Ao mesmo tempo, ele fez-me muitas perguntas. Fiquei surpreendido que veteranos tão experientes estejam sempre a tentar melhorar e estejam interessados em novas técnicas.
– E como se sentiu com Alvarez? Ele é um pouco mais pequeno do que você.
– Eu não diria que ele é forte fisicamente, mas é um tipo muito decente tecnicamente capaz. A sua luta livre está também a um nível normal, um bom nível.
– O que pensa sobre a sua luta livre?
– Sim, isso é um bom ponto de vista. Lutei frequentemente com Eddie Alvarez, apenas poupei um round. O meu principal parceiro de sparring é Corey Anderson. Ele é duro, fizemos um bom trabalho com ele, um mês inteiro.
– Não há muitos parceiros de treino em Nova Jersey para a sua classe de peso.
– Aqui, pouco antes de partir, ganhei o Campeonato Russo, e depois disso fui directamente para a América. Ganhei no Distrito Federal do Norte do Cáucaso antes disso. Em geral gosto de lutar, sou também o Campeão Russo e Mundial U21 (no final de Abril Ramazanov ganhou o Campeonato Europeu de Seniores – Nota do editor). Depois concentrei-me mais no MMA porque a luta e o MMA não coincidiam de acordo com o horário. E depois tive uma luta, voltei para casa e depois houve um Campeonato do Distrito Federal do Norte do Cáucaso. E haveria o Campeonato Russo em Makhachkala. Decidi que iria lutar em casa, para que os meus amigos e familiares viessem. No entanto, devido ao coronavírus, o Campeonato russo realizou-se em Shali, na República da Chechénia. Resultou bem e eu ganhei.

– Porquê?
– Também acho que é melhor. Muitos lutadores de estilo livre provavelmente discordariam, mas a luta greco-romana é uma base melhor.
– A sua base é a luta greco-romana. Há uma opinião de que é mais fácil para os clássicos adaptarem-se ao bastidor do que para os lutadores livres.
– Tanto quanto sei, os tipos de lá correm normalmente os pesos. Não sei como fazem o teste hidrológico, mas conseguem levantar 9-12 kg. Após a luta, há o seguinte procedimento: colocam-no na balança e levam-no para a sala médica, verificam se há ferimentos, acendem uma luz nos seus olhos, verificam se tem uma concussão. O último adversário tinha 86 ou 87 kg após o combate. Consegui vislumbrar um vislumbre. Era interessante, porque o tipo era poderoso, atlético. Mesmo avassaladora.
– Estas alterações, introduzidas em Um, ajudam a proteger a saúde dos atletas?
– Eles dão-lhe um frasco, tem de o utilizar para ir à casa de banho, por assim dizer. Antes de entrar na balança, eles verificam se está a perseguir pesos ou não. Depois, entra-se na escala. É assim que se passam dois dias. Se falhar o teste de pesagem ou hidroteste, tem de fazer o teste de pesagem e hidroteste novamente no dia do combate. Nunca tive isso, ultimamente até tenho estado abaixo do peso. No último combate saí com 82 kg de peso (porque em Um peso no dia do combate, Ramazanov lá luta não num peso-médio, mas sim num peso médio – até 84 kg. – Ed.) Até pensei que podia descer para 77 kg, veremos. Seria melhor para mim ter uma pesagem regular. E 77 – a minha categoria, peso de welterweight.
– O que é isso?
– Há dois dias de peso-peso seguidos. Primeiro faz-se um hidroteste, verifica-se a desidratação.
– Em relação a Um FC: depois de um lutador ser morto por causa de uma luta de peso, há peso-peso no dia do torneio.
– Não é feito nos primeiros segundos, não na primeira ronda. Primeiro tem de desgastar o seu adversário. Cansas o teu adversário, vais até ao guarda, bates-lhe. Uma vez esgotado o adversário, não há mais defesa. Já não se pode defender, perde os seus tiros. E o árbitro pára a luta.

– Lembra-se da sua primeira sessão de formação?
– No início entrei em luta corpo-a-corpo. Eu não ia desistir da luta greco-romana, era bom nisso, era o campeão dos torneios russos e internacionais. Passei de júnior a jovem, e o ginásio esteve fechado durante três meses. Costumávamos ter essas férias. Eu queria treinar algures, e começámos agora a desenvolver a luta corpo a corpo. Comecei a treinar e comecei a sair-me bem de imediato, mas estava a perder alguns movimentos dolorosos e sufocantes por parte dos tipos experientes. Estabeleço um objectivo para mim próprio: até aprender a defender-me contra tais movimentos, não voltaria à luta greco-romana. Pensei: e se alguém me agarrar algures na rua e eu não puder fazer nada? Depois comecei a lutar em condições de igualdade com os experientes, comecei até a vencê-los. Rapidamente dominei tudo, a base da luta greco-romana ajudou-me muito, esta força física, a força do corpo. Depois pensei que não tinha defesa na prateleira, sou um puro lutador. Queria aprender toda a luta, e não apenas a luta de galos. Interessei-me pelo MMA, precisamente quando as coisas começaram a desenvolver-se, os nossos lutadores começaram a ser assinados. Escrevi a Timur [Valiev] e comecei a ir ao DagFighter, por isso fui lá. Gostei da formação ali, do ambiente.
– Como é que veio da luta greco-romana para a luta de galos e depois para o MMA?
– Sim, muito. Por vezes até nos reunimos com os nossos treinadores. Foi no final da pandemia, quando começámos a treinar. Estavam a ir bastante bem, representavam bastante bem a sua escola de luta-livre. Apenas não estavam habituados a todos contra a parede, sem lutadores. Iriam para os calcanhares, fariam longos passes, e sem um sapato de lutador, o seu pé desapareceria. Contra a parede, os lutadores são usados para defender, e os homens livres não são usados para trabalhar em tais posições.
– Os famosos freemen vêm ao DagFighter para se experimentarem no MMA?
– A luta no MMA é diferente. Havia tantos homens livres de sucesso que não conseguiam lutar no MMA. No MMA, pode-se mover o adversário, mas não se pode segurá-lo. Tens de controlar o teu adversário, tens de o controlar, tens de lutar contra ele. Nem todos podem fazer isso, mesmo os muito bons lutadores livres. Não sei do que depende e como pode treinar o seu oponente. Poucas pessoas conseguem controlar os adversários, assim como Khabib consegue.
– Há outro tópico: não há tantos bons lutadores de estilo livre Dagestani que vão ao MMA. Qual é a razão disso?
– O meu pai iniciou a luta greco-romana. Agora há lutadores de sucesso no Dagestan, mas não está tão desenvolvido como a luta livre. O meu pai serviu na Geórgia, e havia e ainda há lá uma boa escola de luta greco-romana. O meu pai gostava deste tipo de luta livre, ele ainda é um fã e observa todas as lutas. Também o observo com ele. Quando estou no Dagestan venho à minha escola onde treinei, para não esquecer a minha base. Quando eu tinha 12 anos, o meu pai levou-me a uma secção. Lembro-me que não queria ir. O meu pai levantou-me pela manhã e disse-me que eu tinha de ir. Não percebi o que era a luta greco-romana, eu disse: “Vamos fazer luta livre”. Todos eram lutadores de estilo livre. Disse o meu pai: “Se não gostares, vais à luta livre”. Mas eu gostei. Depois disso, também fui para o estilo livre, mas nunca gostei de lutar com as minhas pernas. Gosto com o corpo, com as costas para cima. Sempre gostei desses lançamentos. Por isso, fiquei na luta greco-romana.
– Porque é que foi à luta greco-romana? No Dagestan, a luta livre é a mais popular.
– Os homens livres não têm a cinta de ombro, bem como os clássicos. Tronco forte, ombros, antebraços. Se já reparou, no UFC toda a luta livre é na maior parte das vezes na clínica, perto da rede. Mesmo Khabib pressiona e trabalha mais com o corpo. Penso que os lutadores greco-romanos são inigualáveis nessa posição.

– Qual é o rigor do treinador da Mansur? Existe alguma situação em que ele seja particularmente rigoroso consigo? Acontece assim: quanto mais se acredita numa pessoa, mais se exige dela.
– O que é que posso dizer? Só tenho de o provar nas minhas próximas lutas e justificar as palavras de Mansour. Ele disse-o e eu preciso de o provar.
– Esta é uma grande responsabilidade para si.
– Eu estava à espera dessa pergunta (sorrisos).
– Presumo que tenha visto a nossa entrevista com Mansour Uchakaev na qual lhe perguntei sobre o lutador mais talentoso do Dagestan.
– Sim, nós lutámos pelo Distrito Federal Ural. Nessa altura, muitos competiam por diferentes regiões. Foram-nos oferecidas boas condições.
– E por alguma razão representou a região de Chelyabinsk nesse torneio.
– Antes disso, tivemos um campo de treino em Kislovodsk, na base olímpica. Abdulmanap era o treinador principal, ele era o responsável por tudo. Eu era jovem, ainda não era campeão da Rússia, mas eles conheciam-me em pequenos círculos. Tivemos lá 2 ou 3 campos de treino, eu ajudei Rustam Khabilov. Lutei com ele na luta de galos. Abdulmanap estava lá como treinador e eu era o parceiro de treino de Rustam. Abdulmanap preparou-nos, treinou-nos. Ele gostou de mim lá e cuidou de mim. Ele sempre me pediu para lhe mostrar alguns movimentos de luta greco-romana.
– Se pensar na final do campeonato russo de MMA de 2016 – Abdulmanap Nurmagomedov estava no seu canto. Como é que ele estava convosco nessa final?
– Sim. Tivemos treino três vezes por semana, 5 por 5. Não estou habituado a este tipo de trabalho, o meu corpo ainda não está habituado a ele. Tive medo que o meu coração batesse demasiado, mas depois percebi que era assim que eu devia treinar.

Como é que se tornou no One FC: Saí numa semana. Depois dessa luta no GFC não me poupei, tive de dar um descanso à minha cabeça, porque afinal de contas sentia falta dela. Não me poupei durante três meses, não estava em boa forma. Eu saí para lutar contra um coreano, e ele veio até mim desde os primeiros segundos, começou a pressionar. Eu não queria terminar no parterre, queria puxá-lo. Ele era tão musculado, em geral, que ambos os meus dois últimos adversários o eram. Não sei no que estão sentados. Em geral, quis puxar o coreano durante algum tempo, mas afinal conduzi-o mais cedo do que pensava. Tive de o terminar. E com os japoneses – eu queria, de facto [lutar na prateleira]. Muita gente fala do meu standup. Aqueles que treinam comigo sabem o que eu posso fazer no standup. Eu queria lutar com um japonês num standup, mas ele acabou por se mostrar muito desconfortável. Ele é tão baixo que pensei em bombardeá-lo, mas ele tem uma espécie de distância, é um cepo duro. Não foi fácil chegar perto dele. Eu estava tipo a controlá-lo no golpe, bati-lhe algumas vezes, e ele deu-me algumas explosões no fígado, eu senti-o. No fígado e na cabeça. Senti que não o estava a controlar. Ele não é normal, não é padrão, tem uma técnica invulgar. Decidi não correr quaisquer riscos. Acabou por ser uma luta bastante pegajosa.
– Sim, algo do género. Ele estava a piscar e a mostrar-me algo. Depois, antes da luta, houve um treino matinal. Eu já tinha feito exercício, estava a suar. E ele ficou a poucos metros de mim e começou a saltar, balançando os braços, acenando com a cabeça na minha direcção. A tentar irritar-me. Nunca tinha encontrado nada parecido antes, foi uma boa experiência para mim. Fiquei tão emocionado que até pensei em atacá-lo ali mesmo. Durante a luta, quando ele passou por mim na perna, eu já tinha tido um controlo total sobre a guilhotina ali. Se revêssemos a luta, eu mostrava a minha cabeça para a esquina, que não o venceria mais cedo. Eu queria quebrar-lhe toda a luta, para o derrotar. Foi por raiva, por fúria. Nunca tinha perseguido algo assim às cegas antes.
– Quer dizer, estás a andar pela cantina e ele está a olhar para ti incessantemente?
– No GFC, também lutei com emoção. O adversário na véspera da luta na cantina enervou-me um pouco. Bem, ele era uma espécie de esquisito, um esquisito. De alguma forma, ele estava a olhar, piscando. Não fez nada, mas fez alguns movimentos estranhos.
– Teve uma luta difícil no GFC com um iraniano, Farshid Golami, avançou confiante, e ele bateu-lhe muito bem. Acabou por ganhar mais cedo, mas não foi fácil. Pareceu-me que, depois dessa luta, se tornou mais cauteloso na sua posição.
– Mansour é moderadamente rigoroso. Ele é firme onde necessário, mas também macio onde necessário. Ele tenta observar-nos e certificar-se de que não ficamos parados. Isso é o mais importante no MMA.