islão makhachev dá chocolates aos seus oponentes e esmaga facilmente o próximo oponente de makhachev. damir ismagulov é o primeiro cazaque na ufc

Entrevista com o primeiro lutador UFC do Cazaquistão Damir Ismagulov sobre a sua carreira, porque é que ele dá chocolates aos seus adversários.

– Pela documentação, é tudo fácil. O UFC trata da papelada, e não é assim tão difícil de a recolher. O problema é que é impossível entrar na fila neste momento. Há uma fila muito longa para entrevistas de entrevista na embaixada. Em geral, fui aprovado na embaixada e obtive um visto de trabalho sem quaisquer problemas.
– Conseguiu facilmente o visto americano?
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No sábado, Ismagulov está à espera do seu colega, o brasileiro Rafael Alves, de 30 anos de idade, um sub-peso médio muito poderoso, rápido e explosivo que recentemente invadiu o UFC através da Série Contender. Apesar de ter sido atirado ao fundo do cartão, a luta já está muito bem dominada. Há algumas semanas atrás, Alves largou um poste imundo para instaurar um programa que o mostrava a ele e a um camarada a espancar um rato até à morte, e nesse rato está um gráfico com a bandeira do Cazaquistão sobre ele. Sport-Express discutiu este e muitos outros tópicos com Damir na véspera da luta.
As vitórias de Ismagulov são embelezadas pela força da oposição que ele superou. Moises ganhou três lutas consecutivas desde a sua derrota para Damir e irá agora combater o Islão Makhachev. Alvarez – também depois de Ismagulov – também ganhou três lutas seguidas, e, curiosamente, todas por acabamentos. Se dois adversários desenvolveram uma tal série de vitórias no UFC depois de perderem para si, isso certamente coloca uma marca brilhante na sua oposição.
Damir mostrou ser um lutador multifacetado nestes nove rounds, derrubando Alex Djordjis (cinco touchdowns e controlo 9:46 no chão), desmontando Joel Alvarez à distância com mãos e pés e deixando cair Tiago Moises com um jab (o que é bastante raro). A tudo isto, o Cazaque não sofreu qualquer dano, não falhou, tomando calma e metodicamente cada segundo do seu tempo. O que é particularmente impressionante em Ismagulov é o quão delicado, ao contar centímetros, ele sente a distância – ele pode entregar quatro ou cinco vezes em fila o mesmo golpe direito ou esquerdo ao corpo, sem se danificar e mantendo sempre o seu oponente nas posições de tiro.
O início bem sucedido de Damir no UFC é importante para o detalhe: ele não ganhou apenas três combates seguidos – ele levou os nove rounds. Para compreender como isso é difícil, eis uma estatística simples. Na história da UFC havia mais de 80 combatentes da Rússia e da CEI – e apenas cinco deles começaram na organização com 9-0 nas rondas ganhas: Khabib Nurmagomedov, Zabit Magomedsharipov, Peter Yan, Ramazan Emeev e o próprio Damir Ismagulov.
Quando desisti do futebol, comecei a treinar artes marciais”, recordou o lutador numa entrevista ao canal Youtube “Território do MMA”. – Demorei uma hora a chegar ao ginásio. Eu costumava adormecer. Foi muito bom que a paragem fosse um terminal – adormeci depois do intervalo dos casais, depois fui para o ginásio e fiz exercício. Em duas semanas já ganhei os meus primeiros concursos. Foi assim: amanhã de manhã – o concurso. Fui ter com o homem do nosso dormitório que estava sempre a ganhar, havia lendas sobre ele no dormitório. E ele mostrou-me um murro – um golpe de direita no braço. Ele disse: “Tens de estar sempre à frente dele com esse tiro. “É preciso estar sempre à frente. Então, ganhará”. Lutámos nas artes marciais orientais, kobudo, e o principal era atingir o mais rápido que se pudesse. Então ele mostrou-me aquele murro à noite, e eu pratiquei-o durante toda a noite. Inventei outra coisa… Como resultado, venci todos com este murro – quatro adversários um por um”.
A história de Damir em russo e Sensei MMA é muito subestimada. O primeiro cazaque na UFC, veio para as artes marciais na idade de estudante, antes de se dedicar ao futebol. A sua primeira luta foi a arte marcial de Okinawan de kobudo. E já após duas semanas de treino Damir ganhou o torneio.
No final do dia 22 de Maio, Damir Ismagulov (19-1), um cazaque de Orenburg, regressará ao octógono após um grande 1 ano e 9 meses. Ismagulov fez a sua estreia na UFC em Dezembro de 2018, ganhando três combates em três nos próximos 9 meses. No entanto, sofreu então uma lesão e outros problemas, resultando em quase dois anos de perda de carreira.

– Sim, conseguiu. Eu fiz. Depois mandou-me uma mensagem, disse que não era a sério, pediu desculpa, etc… Mas ele deixou acontecer de qualquer maneira. Não sei porque insultaria toda uma série de pessoas com esse vídeo. Quer insultar-me, escrever sobre mim, não insulte toda a nação. Se ele decidiu abanar a luta dessa forma, não o fez por inteligência. Temos uma mentalidade diferente, talvez eles não a compreendam.
– O seu adversário Rafael Alves tentou abanar a luta com um vídeo sujo – nele ele e outro homem atropelaram um sofá e mataram um rato, e sobre o rato estava a bandeira do Cazaquistão. Acima dele está a bandeira do Brasil. Achou esta história muito perturbadora?
– Sim, muitos notaram. O estilo de Tony Ferguson é um pouco louco, ele luta sem um plano. Funcionou, e isso foi suficiente antes, quando ele estava em boas condições físicas e a idade permitia. Agora, ele não pode mudar, porque os tipos fisicamente mais fortes estão a ganhar por causa da “física”, porque ele está algures mais esperto. Já não consegue disparar rápida e fortemente, costumava ser diferente em termos da sua funcionalidade – mais cedo ou mais tarde, a funcionalidade ficará esgotada de qualquer forma. Portanto, é preciso ganhar à custa de outras qualidades, e ele perdeu tudo isso.
– Parece-se com Tony Ferguson. Muita gente reparou nisso? Como se sente em relação a esse lutador?
– Sim, era com isso que eu tinha um problema. Basicamente, posso lutar de formas diferentes. Posso ajustar-me, posso cortar com força, posso lutar com sensibilidade, posso brincar por aí. Seja qual for o plano que funcione – é a esse que nos vamos cingir. Sou um tipo sensível – não gosto de ser atingido ou de ser derrubado e não corro riscos. Mas posso lutar se for preciso, tenho velocidade e poder para acertar. Mas não sou um lutador arriscado, o meu estilo é um pouco como Floyd Mayweather. Não gosto desse tipo de moedor de carne, só quero voltar para casa inteirinho.
– Tem um estilo de standup que se constrói muito em torno da sensibilidade, uma fina sensação de distância. E o tempo de inactividade ataca de forma particularmente dura contra tal estilo.
– Também já tive períodos de paragem devido a lesões durante cerca de nove meses. Mas nunca tive um tempo de paragem como esse. Eu sei lutar depois do tempo de inactividade – é muito difícil, tem de se estar preparado para isso. O corpo não está pronto para o stress, esteve quase num estado relaxado durante dois anos, e agora, para se esforçar, para colocar stress no corpo – é difícil. Não posso aclimatar a tempo também, o que é bom para o meu adversário – ele é um local.
– Teve um ano e 9 meses simples. Sente-se enferrujado porquê?
– Fazem-lhe perguntas simples: com que objectivo vai para a América, já lá esteve antes, sabe inglês? Eles próprios já sabem tudo. Quando eu venho, eles sabem tudo – o quê, como e onde. Desta vez nem sequer olharam para os documentos que eu trouxe. Desejaram-me sorte e disseram: “Foste aprovado.
– O que lhe perguntaram na entrevista?

– Tem um óptimo sentido de distância, não sofre danos – com que idade é que esta qualidade amadureceu pela primeira vez a um nível elevado?
– O da esquerda é mais rápido. Tem sido uma peculiaridade fisiológica desde a infância – por alguma razão, a mão esquerda é mais rápida e leve.
– É um lutador bastante rápido, pois a sua velocidade é muito superior ao normal. Que braço vai mais rápido, o esquerdo ou o direito?
– Sim, um pequeno soco na minha direcção. Também o fazia nos treinos, a minha mão esquerda é bastante rápida – se lhe acerto bem, o jab entra. Consegui atingi-lo, mas não tive tempo suficiente para o terminar. Penso que ele veio a si próprio durante muito tempo depois disso. Muitas pessoas dizem que não consigo bater, não consigo cair, mas bato com força, bato com força. Talvez falte um pouco de precisão, talvez esse aspecto precise de ser mais trabalhado. Talvez ainda não haja nocaute, porque eu não corro riscos. Se correr um risco, pode ser que seja você ou você. O Moises, em geral, é um bom adversário, mas passei mais facilmente com ele do que nas duas lutas anteriores. Como eu sabia antecipadamente desta luta, preparei-me, não havia necessidade de aclimatar – há apenas uma hora de diferença de tempo entre a Tailândia e a China. Não sei, muitos repórteres e peritos disseram que ele me venceria, ele é um bom lutador… Mas eu já sabia antes da luta, que iria ganhar. Eu sei sempre onde posso ganhar, a que custo e como. Não sei porque é que muitas pessoas o viram de forma diferente.
– Na sua última luta largou Thiago Moises com um soco. É bastante raro a este nível ser derrubado com um jab. Como é que isso aconteceu?
– O meu próprio gerente Sayat não compreende porque tivemos de ir até ao fundo do cartão. Talvez seja porque nos mudaram de Houston para Vegas para este torneio, não sei… Estava a falar com Sayat esta manhã, disse-lhe: “Olha, a nossa luta deve estar na carta principal. De todos estes lutadores que lutam aqui, só ouvi falar de Garbrandt. O resto, nem sequer sei que tipo de pessoas. Debutantes, há aqueles que continuam com algumas derrotas. Um contingente obscuro montado (risos)”. Penso que, no mínimo, tivemos de terminar o cartão preliminar, mas definitivamente não no início. Bem… Estou habituado a abrir torneios, não me interessa, embora seja importante para os meios de comunicação social. Mas não quero saber. Não me interessa se tenho de lutar em Marte.
– Fiquei surpreendido por terem colocado a sua luta no fundo da carta. Ganhou três combates seguidos, o último foi contra um lutador do top-15, e eles colocaram-no mesmo no fundo.
– Um tipo bastante explosivo, já vi algumas das suas lutas. Mas ele não lutou contra tipos como eu. Já lutei com tipos como ele. Ele é explosivo, mas os tipos explosivos e fortes não duram muito tempo. Na primeira ronda ele é explodido, talvez tenha de ser paciente algures. Pergunto-me que tácticas usará contra mim. Mas compreendo os lutadores UFC, de facto, eles fazem tudo aqui: lutam e chutam. A única coisa – os brasileiros e americanos na luta de standup não é particularmente forte. A maior parte das vezes, a técnica de parterre e striking é boa. Mas eles são inteligentes. Vamos ver… Aquele que conseguir respirar melhor e trabalhar mais arduamente ganhará, vamos ver como se sai.
– Alves tem esse elemento da besta: poderoso, explosivo, imprevisível, pode nocautear com as mãos e os pés, saídas interessantes para as submissões. Como é que o vence?
Lutei muitas vezes com brasileiros, conheço-os – no peso – ele estava pronto para me matar, mas quando estávamos juntos num elevador, ele quase me abraçou: “És meu irmão”. Quando lutei no M-1, tive um tal adversário – um Pereira brasileiro. Ele estava a gasear-me na pesagem, e depois a andar de elevador, ele estava tipo, “Irmão, irmão. Eles são assim – não se deve confiar neles. Muitas pessoas escrevem-me sobre esta história, há pressão. Mas para mim o MMA não é uma guerra – é um desporto. Estou concentrado noutra coisa, estou mais interessado no combate, em tácticas.

– Disse ao seu rival Alves em resposta a esse vídeo que o Cazaquistão tem uma grande história. Que momento nele ou personalidade o deixa mais orgulhoso da sua pátria?
– Eles já não vivem nessa aldeia, mudei-os para o centro do distrito. Naquela aldeia só nos resta uma pequena quinta. Há mais ou menos Internet no centro do distrito, e quando um dos meus irmãos está lá, eles observam-na. Agora tanto o avô como a avó já aprenderam a utilizar a Internet. Provavelmente não poderão assistir à luta, mas estarão entre os primeiros a saber o resultado.
– Tem uma ligação muito forte com os seus avós. Até considera o seu avô seu pai. Eles vivem na aldeia Udarny, a 200 quilómetros de Orenburg, costumavam ver lutas M-1 na televisão, como é que agora vêem lutas UFC?
– Dei-lhe tanto uma tampa como uma barra de chocolate. Foi a minha primeira luta na UFC. Queria mostrar a todos que os Cazaques são um povo hospitaleiro. Basicamente dei isto a todas as pessoas com quem lutei no UFC.
– Deu-lhe uma barra de chocolate após a luta. Gostei do embrulho com a bandeira. Deu isso apenas a ele ou a toda a gente?
– Não compreendi o que aconteceu na altura. É a primeira vez que isso me acontece. Ouvi-o: “Amo-te”, mas eu nem sequer sabia o que ele queria. Fui lá fora para trabalhar, que mais poderia eu fazer? Ele estava a agir de forma estranha… Ele prometia dar-me uma flagelação, depois falava de amor. Fui ter com ele, viajei 12.000 km [para a Austrália], em cima da hora, e ele comportou-se assim (risos). Também foi apanhado a dopar depois.
– Alex Georgis disse-lhe durante a luta, quando estava deitado em cima dele: “Damir? Amas-me? E eu amo-te”. Em que estava a pensar naquele momento?
– Na verdade, no passado, quando ainda era um amador, na Taça da Rússia acabei com pontapés baixos em várias lutas. Até mesmo Petya [Jan] mencionou isso recentemente. Dava um pontapé com o pé direito e depois terminava a luta. Depois, a dada altura, vi um lutador num dos torneios M-1 bater com a perna direita num pontapé baixo e parti-lo. Foi aí que percebi que é possível partir uma perna se não se acertar bem. Por isso, deixei de fazer pontapés baixos. Mas na última luta podia chutar com o meu pé direito com muita força – tudo o que eu sentia. Quando me sinto, tenho dinheiro para isso. Quando se bate sem sentido, pode-se bater num bloco, a perna fica inchada e é difícil até de se mexer.
– Na luta com Thiago Moises, teve a sua perna direita voar pela primeira vez no UFC – brutal pontapés baixos, pontapés altos. Foi feito algum trabalho específico sobre os pontapés naquele campo?
– A sensação de distância e coordenação é do futebol. Eu costumava jogar futebol, e aí já se pode ver a bola e compreender como se tem de correr para ela mais depressa a fim de passar pelo adversário. Sempre joguei todo o tipo de jogos, tirei muito do boxe. Eu não fui ao boxe quando era criança, apenas comecei agora, mas os boxeadores, penso eu, têm o melhor sentido de distância e movimento – pés muito bons. Tirei-lhes isso. Não tenho dominado a distância, talvez seja uma peculiaridade desde o nascimento. Mas – sim, consigo sentir a distância.

A luta entre Damir Ismagulov e Rafael Alves só estará disponível para assistir na plataforma UFC FightPass. Código promocional: UFC4.
– Aqui, a propósito, sim. Ouço sobretudo canções no Cazaquistão antes de sair. A fim de se acalmar ou, pelo contrário, de se entusiasmar. Inspira-o de alguma forma, e o estado de espírito emocional é completamente diferente.
– A sua língua principal é o russo. É importante ouvir o seu Cazaque nativo antes de uma luta?
– Não, não como tal. Tento ser calmo; às vezes ouço alguma música. Tento distrair-me de tudo, concentrar-me na saída e na luta. Não sei o que me espera lá, é como entrar num abismo qualquer.
– Tem algum ritual final mesmo antes do combate?
– Primeiro e segundo round com um espanhol (Joel Alvarez, ganho por decisão unânime dos juízes – Comentário: “SE”). Revi as lutas e penso que sim. Nessa luta, não podia correr riscos, em primeiro lugar, porque estava ferido, e em segundo lugar, tinha de lutar de forma inteligente e competente. E não conseguiu chegar até mim de todo. Estas são as rondas de que mais gosto. Porque eu ganhei sem perder um murro. E é assim que eu quero tirar cada minuto da ronda. Mesmo que eu seja atingido, tenho de responder duas vezes. Eu ainda, infelizmente, não sinto que estou a ganhar ou a perder. Por isso no meu canto dizem-me sempre se estou a ganhar ou não. Eu sei que tenho de tirar cada segundo da luta, cada distância.
– É um dos cinco únicos lutadores na história da UFC da Rússia e da CEI que começaram nesta organização com nove rondas consecutivas vencidas. Os outros quatro são Khabib, Zabit, Peter Yan e Ramazan Emeev. Qual destas nove rondas foi a sua mais forte?
– Geralmente, ao ver filmes ou mesmo ao ouvir os mais antigos, aprende-se que houve muitos batyrs cazaques que deram uma enorme contribuição para o país. Estamos muito orgulhosos das suas proezas; isto é muito inspirador. O meu antepassado, acontece que na minha linhagem é Syrym Datuly, ele tem um monumento em Uralsk. Quando ganhei o cinto, fomos para o local onde se travaram as antigas batalhas. O homem liderou um exército, muitas pessoas tinham medo dele. E nós temos muitos desses batyrs, e eles devem estar orgulhosos. Eles lutaram contra todos, defenderam as suas terras e os seus interesses. Somos um povo tão nómada – também nos devemos orgulhar disto.